Nudge - Resenha crítica - Richard Thaler
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Nudge - resenha crítica

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Desenvolvimento Pessoal

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-5451-342-9

Editora: Objetiva

Resenha crítica

A economia comportamental

Poucas pessoas ficam surpresas ao saber que o contexto em que as decisões são tomadas influenciam diretamente as escolhas que fazemos.

A quantidade de alimentos que ingerimos depende do que é servido em nosso prato, as revistas que compramos dependem de quais estão em exibição na banca e, até mesmo, os filmes e séries que assistimos dependem daqueles que são anunciados na tela inicial das plataformas de streaming.

Sem embargo, a mesma tendência afeta, também, decisões cujas consequências são mais significativas: quanto as famílias economizam e investem, a quais tipos de empréstimos elas recorrem, quais seguros médicos elas escolhem ou quais carros seus membros dirigem.

Para entender melhor essa dinâmica, surge a economia comportamental, uma nova área de pesquisa científica que articula a economia e a psicologia. Segundo os autores, um dos maiores feitos da disciplina consiste na documentação das formas pelas quais nossas escolhas – aparentemente livres – são afetadas pelas condições que nos são apresentadas.

À medida que tais condições sempre afetam as decisões tomadas, o mais indicado seria, portanto, assegurar que esse enquadramento estimulasse os indivíduos a optarem pelas alternativas capazes de gerar-lhes a maior quantidade de benefícios.

Nudge

Um dos principais insights a partir do qual Thaler e Sunstein balizam sua argumentação refere-se à noção de que nenhuma decisão é “neutra”. Seja um restaurante definindo os itens do menu, uma empresa delineando metas de produtividade ou o governo apresentando diferentes critérios de aposentadoria, quem apresenta opções deve, necessariamente, enquadrá-las de alguma forma.

Tal enquadramento, por sua vez, afetará as decisões. Até mesmo os menores e mais aparentemente insignificantes detalhes podem gerar grandes impactos sobre o comportamento das pessoas.

De fato, algumas formas de apresentar alternativas podem dar um “nudge” (termo inglês que significa “dar um empurrãozinho”, em tradução livre) mais suave do que outras.

Logo, podemos pensar que determinados enquadramentos são neutros apenas porque já estamos acostumados às suas configurações. Entretanto, quem quer que esteja apresentando as escolhas inevitavelmente influenciará (ainda que inconscientemente) as decisões que serão tomadas. Ao refletirmos sobre o poder do Estado, porém, esse escopo pode se expandir bastante, atingindo proporções consideráveis.

A interferência governamental

Os autores defendem, veementemente, que as pessoas deveriam ser deixadas livres para fazer escolhas por conta própria. Para eles, o poder governamental deve ficar estritamente fora do caminho, interferindo o mínimo possível na vida dos cidadãos.

Em muitas áreas que importam tanto para os indivíduos quanto para a sociedade em geral, o mais indicado seria que o governo, em vez de decidir pelas pessoas, apenas incentivassem a tomada de boas decisões.

Thaler, professor de economia da Universidade de Chicago, e Sustein, professor de Direito de Harvard, aplicam essa linha de raciocínio a uma ampla gama de aspectos: poupança, empréstimos, consumo de energia, tabagismo, gravidez na adolescência e muitos outros.

Ao longo de toda a obra, os autores apresentam descobertas fascinantes sobre como as pessoas realmente tomam decisões, articulando-as a muitos conselhos pessoais, tais como:

  • economize mais;
  • não invista muito em ações de seu empregador;
  • contrate seguros com os maiores dedutíveis que você puder pagar;
  • não pague por garantias estendidas.

Todavia, o objetivo principal dos autores consiste em reformular as contas públicas, tanto que Sustein atuou como uma espécie de conselheiro informal do então presidente Barack Obama.

Assim, fica claro que as sugestões que mais importam para eles se aplicam às formas pelas quais os governos podem fazer um trabalho melhor para orientar as escolhas feitas pelos seus cidadãos.

A intenção é, em parte, estimular as pessoas a adotarem estilos de vidas mais saudáveis, seguras e prósperas, ao mesmo tempo em que aborda questões urgentes, como danos ambientais e a elevação dos gastos com cuidados de saúde.

Mas, até que ponto é saudável influenciar tão direta e voluntariamente as escolhas que serão feitas por terceiros?

Paternalismo Libertário

Se você considera que essas ideias são paternalistas, fique tranquilo: você está certo! Thaler e Sustein adotam o conceito deliberadamente contraditório de “Paternalismo Libertário” para descrever as linhas gerais de suas abordagens.

Suas ideias são libertárias porque defendem o direito de as pessoas fazerem suas próprias escolhas, ou seja, todos devem ser livres para escolher, por exemplo, um plano de previdência com os menores retornos, se assim desejarem.

Não obstante, eles advogam que o governo, os empregadores ou quaisquer pessoas em posição de autoridade, devem estimular as pessoas a optarem pelos caminhos que serão mais benéficos a elas.

O argumento conceitual é, de fato, poderoso. Além disso, a maioria das orientações oferecidas aos leitores é de extremo bom senso. Incentivar as pessoas a fazerem escolhas acertadas e racionais funciona bem, sobretudo, devido à tendência humana, amplamente documentada, em direção ao que os autores chamam de “inércia” e que a maioria de nós simplesmente chama de “preguiça”.

A saúde, como um dos aspectos de maior controvérsia para as discussões filosóficas, éticas, políticas e econômicas, também mereceu um destaque especial nesta obra.

Saúde

Muitas das sugestões feitas pelos autores, em contextos como poupança, hipotecas e cartões de crédito, correspondem a pedidos de maior divulgação ou a apresentar informações de maneira mais clara para o público, assim, poder fazer escolhas bem fundamentadas.

Certamente, ninguém (exceto as empresas que lucram com essas taxas) se oporia a mais divulgação e informações mais claras. Nesse sentido, um dos maiores diferenciais do Paternalismo Libertário é, precisamente, a ênfase dada à utilidade dessas propostas.

Seguindo essa mesma linha argumentativa, recomendam que os pacientes cedam, por escrito, ao direito de processarem os médicos em casos de negligência em troca de receberem contas médicas mais baixas.

Para Thaler e Sustein, a constante ameaça de serem alvos de ações judiciais confere, aos médicos, poucos incentivos para serem mais cuidadosos, à medida que os seguros médicos não consideram a experiência desses profissionais. Em outras palavras, o prêmio não depende dos registros anteriores dos médicos, como ocorre, por exemplo, com os motoristas.

Isso significa que os autores assumem uma perspectiva, aparentemente contraditória, de que a ameaça de uma ação judicial encarece os tratamentos de saúde, uma vez que leva os médicos a prescreverem exames desnecessários.

Embora reconheçam que os mercados competitivos não funcionam, necessariamente, para a vantagem dos consumidores, os autores consideram que o mercado de serviços médicos agiria de forma diferente, repassando qualquer economia para os pacientes.

Eles assumem que, se a legislação fosse mudada para permitir que os pacientes desistissem desse direito, o mercado permitiria, ainda, que eles o retivessem, caso assim desejassem.

Notas finais

Um dos aspectos mais cativantes do Paternalismo Libertário consiste em seu potencial de atratividade tanto para os adeptos da esquerda quanto para as pessoas que se identificam com a direita do espectro político.

Todo o processo discursivo elaborado nesta obra sustenta-se na constatação de que as pessoas frequentemente tomam decisões que não são de seu próprio interesse. De modo consequente, muitas vezes os mercados livres e as concorrências abertas tendem a exacerbar, em vez de mitigar, os efeitos da fragilidade humana.

Cumpre ressaltar, ainda, que o pensamento padrão de livre mercado, relativo à antirregulamentação e ao Estado Mínimo, é sumariamente combatido pelos autores sem, para tanto, levar os leitores aos lugares-comuns dos discursos esquerdistas.

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Quem escreveu o livro?

Cass Sunstein, autor do livro "Nudge", é conhecido por trazer diversos estudos no campo das decisões, e como faze... (Leia mais)

Richard Thaler, autor do livro "Nudge", é conhecido por trazer diversos estudos no campo das decisões, e como fazer melhores escolhas no mundo. Richard H. Thaler é inclusive vencedor do Prêmio Nobe... (Leia mais)

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